Aos 83 anos, a respeitada artista plástica Helga Weiss vive em Praga no mesmo apartamento em que morou com os pais antes da Segunda Guerra Mundial. Enviada para os campos de concentração de Terezín e de Auschwitz, a sobrevivente do Holocausto seguiu à risca a recomendação do pai e passou a desenhar tudo o que via. O resultado é um retrato inédito do cotidiano dos prisioneiros judeus pela perspectiva de uma criança.
A palavra inscrita na lateral do carro é Jungendfürsorge (assistência para jovens).
Em 1941, Helga e seus pais foram enviados ao campo de concentração de Terezín, uma cidade militar transformada em gueto judeu. Seus precários alojamentos, que chegaram a abrigar mais de 60.000 pessoas, não reservavam mais do que 1,80m² para cada habitante.
Um desenho feito para sua amiga Francka. Em seu diário, Helga escreveu: “Nascemos na mesma maternidade, dividíamos a mesma cama e viramos melhores amigas em Terezín. Imaginávamos como seria mais tarde, quando as duas fossem mães e saíssem depois de catorze anos para passear por Praga. Francka morreu em Auschwitz antes de completar quinze anos.”
Filha de um bancário e de uma costureira, Helga começou a escrever um diário em 1938, quando tinha apenas oito anos e seu país, a Tchecoslováquia, acabava de ser ocupado pelas tropas nazistas. Seus desenhos e anotações, que abrangem o período de 1939 a 1945, foram reunidos em O diário de Helga.
A anotação à esquerda diz: “Esqueça as horas de sofrimento,/ Mas nunca as lições que ensinaram./ Em memória de Francka”. À direita lê-se: “Quando o prato principal for batatas e nabos,/Terezín está contigo!”
Leia um trecho de O diário de Helga.
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Créditos - Editora Intrínseca






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